Aqui no Brasil, por causa dos chocolates, do leite dos bebês e do nescauzinho da molecada, muita gente desconhece que a multinacional de origem suiça Nestlé é considerada pelos gurus, ambientalistas e naturebas de todo o planeta uma das 10 empresas mais nocivas ao ser humano e ao meio-ambiente. Metida em tudo que não presta e faz mal aos seres humanos, como açúcar, café solúvel, sucos artificiais, leite desnatado, papinhas sintéticas, fertilizantes, pesticidas e medicamentos, a detestável megacorporação dedicada ao lucro e ao monopólio resolveu agora se meter no futebol brasileiro.
Como qualquer um poderia prever, acabou dando merda. A atuação dessa empresa no episódio dos ingressos para o próximo jogo do Flamengo foi, e está sendo, VERGONHOSA! Só mesmo a certeza da impunidade e do descaso das inoperantes e velhacas autoridades brasileiras pode justificar uma postura tão torpe e desprezível. Não tenho a menor dúvida de que esse crime que estão cometendo contra a economia popular, esse desrespeito ao consumidor, essa falta de vergonha na cara jamais aconteceria na Suiça, na Inglaterra ou na França. Era xadrez pra todo mundo na mesma hora!
Mas se a Nestlé pensava que estava mexendo com meros brasileiros vai ter muito tempo pra se arrepender dos seus atos impensados. Mexeram com a Nação Rubro-Negra e podem ter certeza, não vai ficar nada barato. Enquanto a diretoria do Flamengo não cumpre seu papel de protestar oficialmente e buscar um imediato desagravo aos seus torcedores, esse humilde Urublog faz público o seu protesto contra mais esse ataque perverso à soberania nacional flamenga. Não sou fã de greves, lock-outs ou pirraça, mas eu duvido muito que os rubro-negros voltem a consumir produtos da Nestlé depois dessa presepada. Vamos ver como eles se viram ao perderem 35 mihões de consumidores em seu market share de uma hora pra outra.
O Grande Carlinhos, craque imortal dos anos 50/60 e técnico de 83 a 2000 completa hoje 70 anos. A importância de Carlinhos na cosmogonia rubro-negra ultrapassa qualquer forma de contagem do tempo. Carlinhos representa da forma mais pura a muito citada e pouco comprovada pele rubro-negra. Carlinhos é o Flamengo em uma das suas mais completas traduções. Sua classe e virtuosismo lhe valeram o justo epíteto de Violino. Carlinhos tinha um futebol tão raro e valioso quanto um Stradivarius.
Mesmo afastado do futebol profissional ele continua a freqüentar a Gávea e é uma referência para todos no clube. Não deixe de dar uma conferida na sua extensa e vitoriosa lista de serviços prestados ao Mais Querido do Brasil.
Para citar apenas uma de suas façanhas, foi o jovem e imberbe Artur Antunes Coimbra que recebeu suas chuteiras sagradas das mãos do próprio Carlinhos Violino em sua despedida dos gramados em uma noite mágica e inesquecível no Maraca. Carlinhos sempre enxergou mais longe. Parabéns, Mestre Carlinhos! Longa vida e muita saúde é o que lhe desejam os rubro-negros de todo o planeta.
Se liga, galera. Os próximos 7 dias serão os mais decisivos do ano para a Nação. Pros jogadores é momento de atenção total ao serviço, não há espaço para nenhuma frescura. Semana após semana nós temos provado pra todo o Brasil que o Maracanã, além de ser a nossa casa por direito divino, tá pequeno pra acomodar a massa rubro-negra. Enquanto não se constrói um estádio do nosso tamanho vamos evitar o oba-oba e manter a pegada que vem dando certo até aqui. Ou seja, façam fila e arrombem com mais um recorde de público no domingo.
Ganhar do genérico paranaense é obrigatório se quisermos chegar no Recife só pra beber água de coco e cumprir a tabela sossegado, já com a vaga pra Liberta no bolso. Pelo entrosamento que time e torcida tem exibido na reta final do campeonato a tarefa não é difícil. Basta seguir a receita dos vencedores: concentração total no objetivo, seriedade e total ignorância aos muitos zuns-zuns que parte da imprensa arco-íris vai lançar pra nos desestabilizar. Essa é a nossa semana, esse é o nosso grande momento do ano. Vamos trabalhar direito pra poder desfrutá-lo como ele merece.
Lindonas, inteligentes, articuladas e bem vestidas. Só faltava serem Flamengo! Se alguém souber o nome dessas princesas rubro-negras não deixe de me avisar. Parabéns aos criadores dessas jóias, isso sim é que é formação intelectual.
Assim que eu cheguei em casa do Maraca minhas meninas me perguntaram:
- Como foi o Flamengo, pai?
Elas são pequenininhas, 4 e 2 anos, então tenho sempre muito cuidado em falar apenas o essencial e explicar as minúcias e complexidades de um jogo de futebol de uma maneira que elas possam entender. Eu relato só o básico.
– O Flamengo ganhou, meninas! Foi 1 x 0 e o papai tá amarradão! Agora dá um beijo aqui no pai e vão dormir que amanhã tem escola.
Já ia me escornando no sofá pra assistir aos gols da rodada quando a Camila, a mais velha continuou o assunto: - O Flamengo ganhou de quem, pai?
- Ganhou do peixe, filha. Vão dormir agora e deixa o papai ver um negócio importante aqui na televisão.
A Camila me deu um beijinho e já ia indo pro quarto dela quando a Emilia, a mais novinha e mais curiosa perguntou:
- O Flamengo ganhou do peixe de 1 x 0 por quê, pai?
Eu queria muito ver os gols da rodada e a mesa-redonda da TVE que tava começando naquele momento, mas achei melhor levar as duas pra escovar os dentes e contar uma estorinha pra elas dormirem senão ia acabr perdendo o VT no Sportv2.
- Emi e Cami, dão beijo na mamãe e vamos pro quarto mimir que o papai vai contar tudo pra vocês.
Foi exatamente assim que aconteceu, garotas. Prestem muita atenção porque o papai só vai contar uma vez, tá? O peixinho pequenininho vinha nadando pela águas mansas do canal, todo alegrinho. Entrou no oceano e foi em frente, batendo as nadadeirinhas. Foi nadando e nadando pelo oceano todo azul, batendo as nadadeirinhas e ondulando o rabinho. Nadou muito, e aí chegou no Rio. E aí uma maré vermelha e preta muito sinistra começou a envolver o peixinho. A água que era azul e geladinha foi ficando quente, quente, e toda vermelha e preta. O peixinho tentava escapar, ia de um lado pra outro, mas estava tudo vermelho e preto e cada vez mais quente. O peixinho ficou com medo e fugiu pra praia. Mas tava tudo vermelho e preto lá também. Assustado e sentindo muito calor o peixinho foi fugindo por onde dava e acabou no Maracanã. Aí que o peixinho se deu mal. Além de estar tudo vermelho e preto, tava mais quente ainda por causa da torcida do Mengão que encheu todo o Maracanã. Era muita gente de vermelho e preto lá. Ai o peixe ficou ali, preso naquele mar vermelho e preto, sem ter pra onde fugir. O Flamengo foi apertando o peixinho cada vez mais e ele já quase não respirava. Aí um moço do Flamengo deu um chute lá pra perto do gol do peixe, o Obina deu uma cabeçada, o outro moço do Flamengo deu outra cabeçada e a bola sobrou praquele moço careca do Flamengo. Ele deu mais uma cabeçada e a bola foi parar dentro da rede do outro time. 1 x 0 Flamengo! E assim acabou a estória. Durmam com os anjos e boa noite, meninas.
A essa altura da saga a Camila já tinha dormido, mas a Emi é mais enjoadinha.
Desde o tempo em que você fazia teu curso de treinador sentadinho no banco do Mengão, assistindo de pertinho ao monstruoso mestre Junior Capacete arrebentar durante anos à fio sem te dar a mínima chance de entrar em campo, que a torcida do Flamengo só fez crescer. A cada ano que passa fica mais bonita, mais poderosa e mais decisiva. Malandro demais se atrapalha. Vai nessa que a nossa torcida não entra em campo. Já já tu tá batendo na porta da Gávea pra pedir emprego. Nesses anos todos de treineiro você ainda não aprendeu que não se deve provocar a Maior Torcida do Mundo?
Arthur Muhlenberg é carioca e publicitário. Entre seus mais importantes prêmios estão o gol de Rondineli em 78, os 6 x 0 na cachorrada, o sacode no Liverpool no Mundial Iinterclubes, o golaço de Pet no quarto Tricampeonato Carioca e o Pentacampeonato Brasileiro.