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Blog do Torcedor do Flamengo

Blog do Torcedor
  1. 19/09/2007



    Porrada, preferência nacional.



    Desde os tempos das caravelas que nós, brasileiros crioulos, olhamos com subserviência e inveja para o Velho Mundo. Caramuru ainda estava solteiro e os brazucas ruidosos já perseguiam viralatamente a caravana européia por todos os campos do conhecimento humano. No futebol sempre foi a mesma coisa. Mais de um século depois da chegada de Charles Miller e seus couros à Pindorama e por mais valiosos e revolucionários que tenham sido os aprimoramentos implantados no bárbaro esporte bretão pela escola brasileira, continuamos a macaquear a Europa em suas idéias, por mais obtusas que elas sejam.

    Campeonatos chatíssimos por pontos corridos, ingressos caríssimos para as classes médias entediadas em estádios assépticos e sem cerveja e a previsibilidade tática das retrancas, ferrolhos e WMs, são apenas as mais evidentes influências alienígenas dos malas europeus. Mas a moda européia que mais danos trouxe ao futebol artístico e refinado praticado na parte mais ensolarada da América foi a elevação da porrada ao patamar de recurso técnico. Não estou nem falando das origens vândalas do mob football do século XII que tanto sucesso fez na ilha britânica ou no violento gioco del calcio das cidades toscanas do Renascimento e sim do embrutecimento do jogo europeu como um todo.

    Acredito na teoria que explica esse embrutecimento na abrupta interrupção do futebol profissional europeu durante a II Grande Guerra. Impossibilitados de acompanhar a alucinante evolução técnica do futebol sul-americano durante os anos 40 os europeus que conseguiram chegar ao Mundial de 1950 no Brasil se surpreenderam no com a excelência técnica de brasileiros e uruguayos e voltaram para casa apenas com um desimportante terceiro lugar para a Suécia.

    A resposta européia ao drible e à ginga foi preparo físico e mais marcação. Ganharam a Copa de 54, mas viram com a Hungria a despedida oficial da habilidade no futebol europeu. De lá pra frente alguns brasileiros começaram a comer melhor e só restou aos europeus aperfeiçoar ainda mais a preparação física e enfiar a porrada em nossos aborígines dribladores. Das Copas seguintes vencidas pelos europeus qual time jogava bonito? A Inglaterra de 66 jogava igualzinho à Inglaterra de 2007: chuveirinho na área e porrada em quem chegar junto. A Alemanha de 74 até que tinha o Beckenbauer, mas era um time mais dedicado à destruição do que à criação. Itália de 82 nem precisamos comentar, ganhou na cagada e com o Scirea enfiando a porrada em todo mundo. Nem vou falar das outras Copas, já demonstrei meu ponto de vista.

    Foi só durante um curto período, entre 58 e 70, que além de sermos os melhores do mundo, jogando à brasileira, isto é, na bola, compartilhava-se uma consciência nacional desse fato. Infelizmente, o esfacelamento das estruturas democrática no país provocaram uma terrível e lamentável distorção: nos anos de chumbo dizer que o Brasil era o melhor do mundo era visto como apoio à ditadura dos milicos. Essa maluquice inventada pelos comunistas de boteco e o revolucionário padrão tático da Holanda de Cruyjf na Copa de 74 foram o bastante para que o Brasil Bola voltasse a macaquear os decadentes europeus com todas as forças. E assim, prostrados, desabrasileirados, continuamos até hoje a negar nossas origens mestiças, genética e socialmente mais evoluídas.

    Um dos reflexos dessa falta de honestidade cultural é que a porrada, o penúltimo refugio dos canalhas desprovidos de talentos futebolísticos (o ultimo é o STJD), é a grande estrela do Brasileiro 2007. Já que os nossos maiores talentos jogam do outro lado do Atlântico e os clubes brasileiros têm que se virar com a xepa, nossos professores adiantam a marcação, enchem o meio de cabeças de bagre e mandam enfiar a porrada em quem ficar de palhaçadinha (Cachaça, Joel, in Vila Belmiro, 2007).

    Citei Joel, mas podia ter citado Vanderlei, Geninho, Roth ou Felipão. A porrada, coisa de europeu da cintura dura é agora brasileira, é coisa nossa. E longe de mim aliviar pro lado dos técnicos de futebol, uma das classes profissionais mais superestimadas do universo, mas a grande maioria de botinudos em ação no campeonato nem precisa de exortações do treinador pra baixar o sarrafo nos mais talentosos. Eles enfiam a porrada por 3 razões básicas: eles não sabem mais o que fazer, eles gostam de bater e tem certeza da impunidade.

    Mengão Sempre

  2. 18/09/2007

    Quando a ordem é injusta, a desordem é já um princípio de justiça



    Romain Rolland


    Já foi dito por pessoas que entendem do Direito e das Leis que a importância da justiça desportiva para a Justiça é análoga `a importância da música militar para a Música. Mesmo sabendo que o STJD é sério candidato ao titulo de franquia mais avacalhada de todo o Judiciário nacional dessa vez eles exageraram em suas incongruências. Se o STJD quer continuar a usar a marca Justiça em seu nome como é que pode suspender o Obina por 120 dias por uma cotovelada que não pegou e deixar em campo, em escandalosa impunidade, o cara que no mesmo jogo deu uma patada no Ibson pra quebrar?

    Um tribunal para fazer jus ao nome precisa ter credibilidade, critérios e transparência. Um tribunal que absolve um caso escandaloso de dopagem ao arrepio das leis internacionais, legitima a violência de beques carniceiros e não combate com o rigor exigido pela sociedade o uso de recursos ílicitos e dinheiro sujo pelos clubes de futebol pode ter tudo, menos credibilidade, transparência e legitimidade. É uma alegoria de tribunal, uma tapadeira pintada que serve de cenário para uma chanchada protagonizada por procuradoers e aspones mais preocupados com os holofotes do que com a lisura dos certames.

    Ainda que revoltante, demagógica e inócua no combate a violência, a decisão espúria desse teatro de fantoches não causa surpresa. Os brasileiros tem aprendido ao longo de anos e anos de capitanias hereditárias, sesmarias, ditaduras, quarteladas e democracias de meia-tigela que é assim que a banda toca. Henry David Thoreau, um escritor do tempo do onça, no seu clássico Walden, cunhou uma frase sensacional sobre essa dicotomia entre o que é justo e o que é legal que se baseia no argumento de que, muitas vezes, infringir uma lei injusta é a coisa mais justa a se fazer. " Sob um governo que aprisiona alguém injustamente, o lugar certo para um homem justo é também numa prisão." Quando a gente vê que o Obina foi condenado e o Renan absolvido essa frase ganha ainda mais força e atualidade.

    Mengão Sempre

  3. 17/09/2007


    Allan Kardec é Raça-Fla


    À exemplo da partida de quarta-feira contra o vice-líder do Brasileiro, o jogo de ontem contra o vice-eterno demonstrou que o elenco do Flamengo está absolutamente no mesmo nível dos demais competidores do Brasileiro. Mesmo com o Mengão desfigurado por seis reservas e sendo obrigado a fazer duas mudanças por motivo de contusão ainda nos primeiros minutos do primeiro tempo, o vice só conseguiu fazer 1 gol na gente por causa do vacilo do Bruno, procurando o vendedor de mate na hora que os caras bateram o córner. Admito que eles só fizeram 1 gol também porque é verdadeira a musiquinha sobre o Bruno que diz: PQP! É o melhor goleiro do Brasil!

    Apesar do resultado chocho, foi um belo clássico. Disputado com vigor e respeito às torcidas, os dois times fizeram tudo que estava ao seu alcance e, principalmente, suaram as camisas. Clássico com casa cheia, obviamente com mais gente do nosso lado, a amarela deles tava cheia de vazios, mas isso já era de se esperar. O bacalhau teme o Urubu e só bota a cara quando tem muita certeza da vitória. Infelizmente, duas cepas de parasitas nocivas disfarçadas de torcedores do Flamengo se estranharam mais uma vez nas arquibancadas e voltaram a sair na porrada fratricida que tanto envergonha os torcedores legítimos. Fora isso, pelo menos dentro do estádio o que se viu foi a proverbial civilidade carioca e nenhum problema entre as torcidas rivais. Não dá nem pra comparar, futebol no Rio é show.

    Claro que poderíamos ter ganhado do bacalhau ontem se o juiz não fosse tão ladrão, mas nem vou entrar nesse nhém-nhém-nhém de que fomos prejudicados pela arbitragem. Além de não adiantar nada ficar encontrando desculpas para a incompetência em vencer um freguês, torcer pro Flamengo é pra homem e chororô é coisa de botafoguense que não ganha nadaaaaaaa. Pros sofredores da cruizdemauta foi uma pena que SE, TALVEZ e QUASE não tenham jogado e por essas ausências eles estão se lamentando. O rubro-negro é diferente e vê sempre o lado positivo das coisas. Prefiro ir nessa onda e comemorar o fato de Allan Kardec ter nascido com aquela caixa craniana gigantesca. Valeu, Cabeção!

    Mengão Sempre


  4. 15/09/2007

    O bacalhau já tá de molho!



    E a torcida mais decisiva do Brasil já está preparada para a tradicional refeição da familia rubro-negra. O Maracanã vai bombar com mais uma edição do Clássico dos Milhões. Só tem uma coisa em que rubro-negros e viceínos concordam: as torcidas tem tudo para dar um show se esquecerem a babaquice de ir no estádio pra brigar e incentivarem seus times na PAZ.

    Se o script for cumprido corretamente, e a inalterável hierarquia da cadeia alimentar for respeitada, teremos um jogo muito disputado, muito catimbado e com mais uma vitória do Flamengo no final. Pelo menos desde 1922, quando eles perderam a primeira partida pra nós no Torneio Início, tem sido assim: o bacalhau até que tenta fazer uma graça, mas no final acaba devorado pelo Urubu.

    Na real, a gente não quer nem saber quem é que vai estar do outro lado. Foi a História que nos ensinou. Contra os caras, somos mais o Mengão e ponto final.

    Mengão Sempre

  5. 14/09/2007

    Troféu Freguês

    Apesar de não me render um mísero ceitil, ser o blogueiro da torcida do Flamengo no império monopolista Globo.Esporte.com me enche de orgulho e moral, recompensas bem mais duradouras que o vil metal. Mas tenho noção da enorme responsabilidade que essa missão cívica traz embutida. Por isso não posso me furtar ao dever de dizer aqui, sempre que for possível, adequado e politicamente correto, a verdade. Duela a quiem duela.

    E a grande verdade é que faz um tempão danado que não ganhamos do bacalhau imundo quando o jogo não vale nada. Amigos rubro-negros, não se enganem com nossa folgada vantagem numérica nos confrontos diretos com os esmulambados que envergam o pano-de-chão (comprovadamente a camisa feia mais horrorosa do Brasil). As 6 vitórias a mais e os 5 gols de vantagem em 357 partidas disputadas desde 1922 são números muito significativos, mas não servem para esconder os fatos. E por mais dura que seja, temos que admitir a verdade: O Flamengo precisa que haja uma Taça em disputa para poder ganhar do vasquinho.

    Foi só por essa razão singela que conseguimos vencer aqueles dois joguinhos sem importância dos dias 19 e 26 de julho do ano passado. Esses dois joguinhos, de maneira ainda inexplicável para a ciência, foram apagados das diminutas memórias vascaínas. Só pode ser algum problema relacionado ao cérebro, equipamento que, como sabemos, nos vascaínos não é original de fábrica. Nos últimos dias vi um monte de bacalhau amnésico esbravejando por aí que nós não ganhamos deles há não sei quantos anos em campeonatos nacionais. E não é que por uma coincidência irrelevante esses dois joguinhos que os nossos clientes esqueceram valiam uma Copa do Brasil, um torneio nacional? Aliás, Copa do Brasil é uma taça que os vices só conhecem por fotografias e que nós do Mengão já temos até repetida lá na Gávea. Para que não haja qualquer mal entendido sobre esse ponto peço respeitosamente aos bacalhaus que não deixem de assistir aos vídeos comprobatórios desse título logo abaixo.

    Prova 1:


    Prova 2:


    Nesses tempos modernos em que o STJD permite a dopagem, desde que feita sem má intenção, já estava mais do que na hora do Flamengo mandar às favas os seus arraigados princípios morais e aderir ao dopping. Não se animem, maconheiros de plantão, no nosso caso o dopping é apenas moral e não químico. Como está cientificamente comprovado que precisamos de uma taça em disputa para garantir uma vitória no domingo, a prodigiosa, criativa e bem vestida torcida do Flamengo já resolveu o problema. Contando com a expertise de milhares de heróicos rubro-negros que exercem a importante e ecológica função de técnicos em coleta de materiais recicláveis, a torcida mandou fazer uma taça que será entregue ao vencedor do jogo de domingo.

    O Troféu Freguês, o primeiro troféu ecologicamente correto do Brasil foi confeccionado com 7.029 garrafas PET, uma garrafa PET para cada dia em que o vasquinho não vence o Flamengo em uma decisão. O projeto original do Troféu Freguês utilizaria apenas 1641 garrafas PET, representando quantos dias o bacalhau está sem ganhar qualquer título. Mas a competência e velocidade dos técnicos em coleta rubro-negros fizeram com que a oferta de matéria prima superasse as expectativas e então se resolveu aumentar a homenagem. Ainda bem que esses sacanas flamenguistas não resolveram comemorar também os 39.842 dias em que o bacalhau está sem titulo mundial. Ia faltar garrafa na cidade.




    Zoação Podcastônica



    Nessa sexta-feira os malas do Bola nas Costas me ligaram cedo pra caramba pra pilhar ainda mais o clássico dos milhões. Desconfiei na hora que era alguma traíragem. Mas só depois que eu atendi que descobri que o JC, o blogueiro bacalhau, também tinha caído no 171 dos caras.
    Ainda bem que desde moleque que a gente aprende que o flamenguista não tem medo de morrer, então caímos dentro. Ouve aí a radiola e diga na moral: quem venceu esse combate de gogó?



    Mengão Sempre

  6. 14/09/2007

    Olê,Olá! A Renatinha tá botando pra quebrar!




    Aí, galera rubro-negra, a porrada entre a a musa do Flamengo e a do bacalhau está sinistra.
    Já foram quase 200 mil votos e por enquanto a lógica prevalece e a espetacular, simpática e bem preparada Renatinha está por cima. Mas o jogo é durissimo e a qualquer momento tudo pode mudar. Pra garantir mais uma vitória a Renata precisa que você pare um pouco de ficar em blog de barbado e vote nela. Vamo lá, meu chapa! O voto é grátis e você pode votar quantas vezes quiser. Flamenguista sangue puro não vai deixar de ajudar a Renata na hora de ganhar mais uma do bacalhau. Vai, Renata, não dá mole pra ela, não!

    Mengão Sempre

  7. 14/09/2007

    Silêncio na Pocilga!



    Até os viceínos concordam que uma imagem vale mais que 1000 palavras.

    Mengão Sempre

  8. 14/09/2007

    Baú do Urubu



    Atendendo aos pedidos de nossos seletos assinantes e aproveitando a proximidade de mais uma bacalhoada compulsória, o Urublog orgulhosamente reprisa um video pela primeira vez em sua exitosa história. Dando prosseguimento aos eventos da semana do Clássico da Zoação fiquem mais uma vez com a sóbria, imparcial e precisa locução de Arnaldo Taveira para a conquista épica de um dos inúmeros e inesqueciveis vice-campeonatos do bacalhau imundo diante do avassalador, impositivo e 100% sangue-bom Flamengo.

    E não podemos esquecer de mandar aquele abraço especial da Torcida FlaManguaça pro querido Helton Frangueiro, nosso camarada. Valeu, Helton! Valeu, Joel! E valeu, Euricão, manezaço-aço-aço.



    Mengão Sempre

Arthur Muhlenberg é carioca e publicitário. Entre seus mais importantes prêmios estão o gol de Rondineli em 78, os 6 x 0 na cachorrada, o sacode no Liverpool no Mundial Iinterclubes, o golaço de Pet no quarto Tricampeonato Carioca e o Pentacampeonato Brasileiro.





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