Bastou uma caminhada despretensiosa pela orla do Leblon nessa manhã de segunda-feira para comprovar com meus próprios olhos que a minúscula torcida do Florminense continua a mesma. Foi só o acaso proporcionar uma vitória acidental, em que foram necessárias as macumbas combinadas de Sobrenatural de Almeida, Gravatinha e Grãfina com Narinas de Cadáver (e contra um adversário que não ganha de ninguém fora do seu acanhado campinho de pelada) para que as horríveis e antiestéticas vestimentas tricolores saíssem dos armários (sem duplo sentido) onde se escondiam há semanas.

Uma das razões para o Flamengo continuar a ser o Maior do Mundo
Mengão Sempre
Uma outra opinião
João Marcelo Maia é sociólogo e escreve regularmente la no Blog da Flamengonet. Vale a pena dar uma lida no texto que ele publicou ontem.
O Fim do Flamengo?
O Flamengo não é um clube de futebol. O Flamengo é um dos bens culturais mais valiosos da civilização brasileira, um símbolo concreto da possibilidade de construir uma Nação autônoma, mestiça e democrática. Assim, não é possível achar que o Flamengo terá um "fim" burocrático, vendido num leilão ou com falência decretada. A possibilidade do fim está no descolamento entre sentimento e instituição, que é o que comecei a sentir pessoalmente há algumas semanas.
Todos amamos o Flamengo, e nos identificamos com uma memória coletiva feita de glórias, lutas, sangue, graça e prazer. Nos acostumamos a olhar 11 jogadores vestindo a camisa do Flamengo e sentir naquilo a perpetuação eterna de uma mística quase atemporal, como se o clube, de alguma forma, sempre tivesse existido e fosse mais propriamente um sentimento do que uma entidade com CNPJ. Isso faz o Flamengo. E a perda disso pode decretar nosso fim.
Há algumas semanas andei fugindo da televisão aos domingos e às quartas de noite. Marcava cerveja, ia ao cinema, qualquer coisa que evitasse o inferno que é assistir um jogo do Flamengo no atual Brasileiro. Consegui ser feliz. Ontem não resisti e vi todo o jogo, mas temo estar perdendo o sentimento de que falei anteriormente. Nos últimos anos, acompanhava cada partida e ia ao estádio, pois estava convencido de que o sofrimento era uma espécie de dever moral de todo rubro-negro, uma espécie de provação que só aumentava minha conexão com a mística. O time ser ruim ou não era uma questão menor diante da necessidade imperiosa de estar junto dessa comunidade imaginada que é o Flamengo. Hoje, temo não sentir isso com força. Já me peguei tendo sentimentos de descaso, enfado e cansaço emocional. E já vi amigos e colegas sentindo coisas parecidas. Muitos não têm raiva, nem acreditam que o rebaixamento seria "pedagógico". Nada disso. Simplesmente suspiram e vivem suas vidas.
Na história das civilizações, a perda desse sentimento é fatal. Crises, guerras civis, ameaças, tudo isso faz parte da trajetória de altos e baixos que marca a História dos povos no mundo. Mas no momento em que instituições e símbolos viram cascas vazias, sem se ancorarem no fervor e no amor dos súditos, a decadência vira algo praticamente inevitável. Se estou certo em acreditar que o Flamengo constitui uma civilização, um modo de estar no mundo e de partilhar valores e paixões com outros seres humanos, então eu tenho medo. Eu tenho medo de que cada vez mais súditos prefiram viver outras emoções. Eu tenho medo de que torcedores se tornem cada vez mais indiferentes ao que se passa com aquele bando de gente vestida de vermelho e preto num gramado verde. Eu tenho medo de sentir vontade de fugir da televisão em dias de jogos. Eu tenho medo de, daqui a 20 anos, quando perguntado se tenho um time, responder "adoro futebol e era Flamengo doente, mas hoje só aprecio", frase que sempre considerei um atestado de fraqueza moral.
Eu tenho medo do fim do Flamengo.
João Marcelo Maia
Mengão Sempre
Mengão Buma Yê!
Mais uma vez o Flamengo e a Nação estão diante do precipício. Só mesmo um colosso como o Flamengo para enfrentar tantas vicissitudes e ainda manter a pose altiva de quem nunca, em tempo algum, precisou lançar mão de recursos estranhos ao âmbito esportivo para se manter na elite do futebol nacional. Aliás, o Flamengo e sua torcida não sabem qual é o sabor amargo dessa desonra, pois em toda a nossa história centenária nunca jogamos em divisões inferiores. E afirmo categoricamente, nunca jogaremos!
O Flamengo x Patético Paranaense de hoje é um jogo importante, não se discute. Mais em função da nossa precária e circunstancial posição na tabela do que pelos méritos do pequeno adversário. Ganhar deles lá em Curitiba é difícil, mas já foi feito antes, É apenas mais uma das 24 partidas de vida ou morte que teremos nesse Brasileiro. O verdadeiro adversário do Flamengo está na mente dos jogadores, o bloqueio que os está impedindo de vencer e cumprir o glorioso destino manifesto do Mengão. No que depender do apoio da torcida e na energia positiva emanada na direção da Arena esse bloqueio é coisa do passado e essa vitória já está garantida.
Torcedor do Flamengo, faça um esforço para não deixar de assistir ou ouvir o Mengão no jogo de hoje. É hoje à noite que começa a escalada do Flamengo que redimirá os fiéis, calará os invejosos e humilhará as cassandras da arco-íris que como hienas se regozijam em anunciar antes da hora um rebaixamento improvável que só se materializará nas suas mentes doentias e embotadas pelo ciúme que nutrem em relação ao Mais Querido do Brasil. Nesses pobres de espírito o Mengão passa o rodo geral!
O Flamengo é maior que o abismo. O Flamengo é maior que tudo isso que está aí. E ai de quem se interpor no caminho desse gigante. A história prova que tal imprudência será punida com a aniquilação. O Flamengo é o maior!
Mengão Sempre
Arthur Muhlenberg é carioca e publicitário. Entre seus mais importantes prêmios estão o gol de Rondineli em 78, os 6 x 0 na cachorrada, o sacode no Liverpool no Mundial Iinterclubes, o golaço de Pet no quarto Tricampeonato Carioca e o Pentacampeonato Brasileiro.