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Blog do Torcedor do Flamengo

Blog do Torcedor
  1. 14/08/2007

    Programa Permanente de Alfabetização Rubro-Negra




    Torcida do Flamengo, a torcida que mais nasce.

    Mengão Sempre

  2. 14/08/2007

    O Medo que Paralisa o Tricolor

    Caros amigos rubro-negros, vocês notaram essa significativa mudança no nosso micro-clima? Devem ter reparado em uma brisa refrescante que não é comum por aqui. Saibam que não estamos testando um sistema de refrigeração on-line no Urublog. Essa aragem fresca é provocada pela extraordinária afluência dos terceirences que tem nos honrado com sua alegre presença. Freguês bom é assim mesmo, faz qualquer coisa pra agradar.

    A verdade é que os tri-rebaixados da elite não gostaram de ser identificados positivamente como fregueses dos favelados, desdentados e analfabetos pentacampeões do Brasil e, confessadamente, seu maior pesadelo. Por isso mesmo a moderação liberou vários comentários da prayboyzada para que se pudesse comprovar o alto nível vernacular e de conteúdo com que essa auto proclamada elite tenta estabelecer contato com uma raça superior (agora estou falando da gente).

    É evidente que os florminenCistas vivem em uma dimensão surrealista do universo, uma inexistente Suíça morena onde a realidade é distorcida até seus limites. Só mesmo mentes doentias e condenadas à extinção podem cultivar e confessar publicamente valores anacrônicos e xenófobos como elite e supremacia branca em uma nação de pardos, banguelas e iletrados como o Brasil. Quem sabe do comportamento e da educação dessa elite são os vitrais das Laranjeiras.

    Mas deixemos a inexorável corrupção e decadência dos estratos superiores da sociedade de lado que esse papo é chato pra nóis que é povão. O mais engraçado tem sido os argumentos usados para contestar as verdades matemáticas sólidas e imutáveis como rochedos que ancoram nossa vantagem no confronto direto. Contas marotas, decisões de Taça Rio (mas não as da Taça Guanabara) e até improvavéis declarações do Papa João Paulo II (declaradamente rubro-negro) foram usadas para sustentar o insustentável e esconder o medo pânico que os acomete sempre que nos enfrentam. Para não ficar indo muito atrás na folhinha nos basta dizer que no seu ultimo encontro com o Mengão em Brasileiros aplicamos um acachapante 4 x 1 de violento efeito moral que descadeirou a alegre e rebolativa torcida do Flor.

    Já vimos que esse negócio não funciona em lugar nenhum, mas já que os caras não saem daqui do Urublog vamos usar essa tal democracia. Para tentar incutir um pouco de juízo nesses descerebrados sofredores reproduzo agora uma carta de um tricolor que também acreditou nessas estorinhas de Boitatá que eles contam pra ninar os filhos e foi ao Maracanã num sábado em fevereiro de 2004 crente que ia ver uma vitória do Flor sobre o Mengão. O cara escreve bem e a cartinha dele capta com fidelidade o trauma pós-coito que a minúscula torcida cheia de cor sente após uma chacoalhada do Mengão. Divirtam-se.

    Foi dose. Nós fomos até lá. Estávamos lá dentro, naquele calor infernal. Ontem o meu filho Daniel começou a descobrir que existem duas coisas nesse mundo. Uma, é o futebol. A outra, é o Fla-Flu. Descobriu que esse adversário odiado é mais do que um simples time de futebol. É um time de futebol seguido por uma horda de loucos fanáticos, que se agrupam e fazem gol. Entram em campo e fazem gol. Fazem o segundo, o do empate e o da virada.

    Numa única tacada ele descobriu o medo e o respeito que se deve ter dessa instituição e desse jogo, clássico de apelido garboso, colorido interminável e lotado de almas fanáticas. É coisa para gente grande. É jogo para quem tem o coração tingido dessas cores. De grená, verde, preto, vermelho e do branco que acompanha esse arco-íris. O ar que se respira no estádio é diferente, a atmosfera é diferente. Tudo muda quando você chega na Praça da Bandeira ou cruza a Zona da Leopoldina em direção àquela maçaroca de concreto. Um aglomerado velho e obsoleto, sem conforto ou segurança. Mas que vicia. Nos deixa dependentes dele e de seus mistérios e dogmas. É. O Maracanã tem dogmas. E não são poucos. São sérios o suficiente para fazerem de seus jogos eternos eventos com ares de seita. Com rituais próprios, cânticos específicos, liturgia. E consagração. Lá a gente aprende desde cedo que o jogo só termina quando acaba (it is not over until it is over, dizia o astro do baseball, Yogi Berra). E eu andava meio esquecido disso. Logo na chegada, quando descíamos o Oduvaldo Cozzi a pé, com o calor escorchante se despregando do asfalto, eu senti a atmosfera oblíqua.

    Olhei pelo viaduto abaixo, me desviando de cambistas e flanelas, e enxerguei o capitão Belini erguendo a taça. Sempre cercado pelo burburinho da esperança. A meia hora do pontapé inicial, cada um nós se aproxima do portão com esperança saltando pelos poros. O menino de sete anos beijava o seu cordão sagrado, com a camisinha tricolor dependurada num barbante preto sebento. Olhávamos um tumulto nas bilheterias e a Raça Rubro Negra chegando pelo lado da Radial Oeste. Gente por todos cantos. O gesto dos punhos cerrados e cruzados ao alto e o prenúncio de arrastão. Esse é o grande contraste dessa minha vida de pequeno burguês. Pequeno burguês até na escolha do time de coração. Time que provoca engarrafamento no Rebouças, quando enche o Mario Filho, e fila nos restaurantes da Zona Sul depois dos seus jogos.

    É só nesse dia de Fla-Flu que eu enxergo o contraste que existe entre as patricinhas sem sutiã da torcida tricolor e a tropa de marginais guerreiros da Raça Rubro Negra e da Torcida Jovem. Um abismo social. Do ambiente de clubinho direto para a vida-como-ela-é. Um pânico de mais de trinta anos. A língua incha dentro da boca e o medo me surrupia a nesga de esperança. A baixa-estima da elite quando se perde em meio ao nada. Ir a esse clássico é estar perdido no meio do nada. Subir a rampa nos Fla-Flus é sempre um constrangimento. Um exercício de mau gosto. Mudar de lado por ser menos numeroso. Por ter sido invadido em priscas eras, quando tomaram nosso lugar à força e nos mandaram para o lado direito das cabines de rádio. Explicar para um menino o porquê de naquele dia - só naquele dia, em mais nenhum outro - ter que virar para a esquerda, no sentido horário, é sempre uma pequena revolta. Ter que ver o jogo sentando naquelas faixas de concreto que abrigam bundas vascaínas é falta de higiene. Um desgosto que me acompanha desde criança, quando fui rampa acima ver o meu primeiro Fla-Flu, em 1977 (1x1).

    Ontem, os deuses desse jogo se alojaram naquelas arquibancadas desde cedo. Pintaram e bordaram com as duas nações. Com 19 minutos do segundo tempo eu estava trepado na divisória entre as cadeiras amarelas e as brancas (o módulo central, que mistura as duas torcidas), fazendo o sinal de acabou com os braços, chamando um cara do outro lado de corno e entoando o famoso "ela, ela, ela, silêncio na favela". Era o terceiro gol do gigante Rodolfo. Doze minutos depois, a favela vinha abaixo com seus gritos de guerra. E eu descia a rampa em ritmo acelerado, com um nó na garganta, cumprimentava o grande Belini e entrava no primeiro táxi que vi pela frente. O menino pedia para ficar. Se lembrava de um jogo com o Santos em que saímos 1 minuto antes e o time cavou um empate fantasma aos 48 do segundo tempo. Eu olhava fixo para a Avenida Maracanã de dentro daquele Santana velho. O taxista insistia em dizer que achava o estádio muito perigoso e que não gostava de futebol. Mas pedia detalhes do jogo e mantinha diálogo com a frustração escancarada do meu pequeno Daniel. Eu nunca tive medo dessa trupe. Nunca mesmo. Mas que é diferente, é. Os outros sempre foram fregueses. Sempre foram engolidos. Mas esses não. Peguei os piores momentos da história desse jogo, quando tínhamos que ir a campo ver Artur Antunes, Leovegildo, Leandro, Tita & Cia. Chegamos a enfrentar isso aí com times absolutamente medíocres, de zezés, galaxes e robertinhos. E eu nunca tive medo.

    Mas sempre existiu uma coisa que me deixa perambulando entre o mistério e o pânico. Aliás, não é "coisa" coisa nenhuma. É metafísica. É o Sobrenatural de que tratava Nélson. É perturbante. É aquela massa uniforme pulando do outro lado. 23 minutos, 1x3, e eles não paravam de pular; ninguém saía do seu aperto; ninguém ia embora. Eles nunca vão embora. Eles nunca arredam o pé. Eles não se sentam, não param de gritar. Eles não sossegam. Me perseguem, me sufocam, me habitam os pesadelos e me causam pânico. Quando eu olho para o outro lado é isso que eu sinto. Eles acreditam mais do que os outros. Mais do que eu e todos os outros juntos. E disso, meus caros, eu me borro de medo. Eles jogam com 12. E jogar com 12 deveria ser proibido. Deixar Felipe andando de um lado para o outro, desfilando o seu repertório de categoria e classe, foi uma imprudência. E o jogo foi um jogo para a história. Dentro do táxi, uma frase de uma criança de sete anos ficou estalada no meu tímpano: "papai, eu tenho nojo deles". Eu também tenho. É só o que posso dizer hoje. Mas se não fossem eles essa mágica não existiria.

    Cláudio Lambert (Tricolor)


    Hahahahahahahaha.Sensacional!

    Mengão Sempre

  3. 13/08/2007

    O Fla x Flu nasceu dez segundos antes do nada...

    Bastou uma caminhada despretensiosa pela orla do Leblon nessa manhã de segunda-feira para comprovar com meus próprios olhos que a minúscula torcida do Florminense continua a mesma. Foi só o acaso proporcionar uma vitória acidental, em que foram necessárias as macumbas combinadas de Sobrenatural de Almeida, Gravatinha e Grãfina com Narinas de Cadáver (e contra um adversário que não ganha de ninguém fora do seu acanhado campinho de pelada) para que as horríveis e antiestéticas vestimentas tricolores saíssem dos armários (sem duplo sentido) onde se escondiam há semanas.

    Não é preciso ser formado em sociologia com doutorado em Desvios Comportamentais do Terceiro Sexo para concluir que pelo andar saltitante e pela gesticulação inortodoxa dos indivíduos que portavam o feio pano de chão, enquanto maculavam a beleza natural de um dos nossos mais espetaculares cartões postais, que os malucos de Laranjópolis estão empolgadinhos e certos de uma vitória sobre o Mengão na quinta-feira. Hahahaha (gargalhada grotesca mode on)!

    Felizmente vivemos tempos de tolerância e respeito às diferenças e enquanto eles estivessem apenas rebolando no calçadão e fazendo previsões cor-de-rosa nada poderíamos dizer. Mas essa empolgação inexplicável provoca nos tri-rebaixados arroubos oratórios que merecem algumas rápidas respostas a guisa de lembrete. Esgrimindo com estatísticas mais fajutas que o convite feito pela CBF que os habilita a disputar o Brasileiro entre os grandes clubes da Primeira Divisão, os sofredores do Terceirense andam por ai se gabando de que não perdem há anos para o Império do Mal (é como somos conhecidos em seus pesadelos). Bazófias. A verdade é que o preclaro tricolor Nelson Rodrigues tinha toda a razão ao afirmar quando ninguém estava olhando: “Nem todo tricolor gosta de apanhar. Só os normais.”

    A sabedoria popular diz que pretensão e água benta cada um toma quanto quer e a vontade muito humana de querer se enganar não conhece limites. Ao longo dos 93 anos de rivalidade a história vem se repetindo com uma impressionante previsibilidade. Toda vez que o Fru enfrenta o Flamengo achando que vai se dar bem acaba levando sacode. Quem não se lembra daquela piada de 2004 dos galácticos com Vomário e Assassino sendo empalados sem procedimentos cirúrgicos duas vezes pela mulambada comandada pelo possesso Felipe Sangue-Ruim em pleno Maracanã?

    Ainda que por modéstia desprezemos a fria estatística dos confrontos diretos, onde a nossa vantagem de 11 vitórias fala por si, como rubro-negros amantes da verdade e casados com a precisão temos o dever de destacar que desde 1915 o impiedoso ataque do Flamengo já arrombou a meta da decadente agremiação burguesa 541 vezes, o que nos proporciona o folgado saldo de 46 gols no cotejo com o Flor. No Flamengo eles já não são fregueses, são clientes especiais que não ficam em pé na fila, providenciamos tudo para que sejam sempre atendidos sentados.

    Na quinta-feira mais uma vez teremos oportunidade de comprovar a eterna repetição da História e assistir a mais uma vitória tranqüila e necessária do Flamengo sobre o Fru. Mas nessa subida inevitável em direção aos píncaros da tabela do Brasileiro é bom que Joel Cachaça e seus comandados fiquem espertos. Como já dizia o grande pensador e pequeno centroavante Jardel Cabeção: Crássico é crássico. E vasco-versa.





    Mengão Sempre

  4. 12/08/2007

    Feliz Dia dos Pais Rubro-Negros



    Queridas Camila e Emilia,

    esse foi o presente de Dia dos Pais mais legal que vocês poderiam me dar. Passar uma tarde no Maracanã com as minhas maiores paixões e ainda ver o nosso Mengão vencer o Náutico de virada com todos os componentes dramáticos das tragédias com final feliz foi uma experiência daquelas que eu tenho certeza que jamais vou esquecer. Espero que vocês também possam guardar na memória essa tarde bacana em que tantos papais rubro-negros foram ao Maracanã com seus filhos empurrar o time ladeira acima.

    Vocês ainda são muito pequenas para entender o que está acontecendo, mas um dia vocês vão saber que o gigantesco Flamengo andou claudicando em 2007, tropeçando nas próprias pernas e dando sustos nos papais de muita gente. Aquelas gritos que demos juntos serviram pra incentivar o time, fizeram o Flamengo se superar e correr mais do que o outro time. Por isso essa vitória magra foi tão intensamente comemorada por toda aqueles flamengos que estava lá no Maracanã com a gente, pulando sem parar.

    Agora vou falar a mesma coisa que o meu papai falava pra mim quando me levava ao Maracanã. Que quando vocês crescerem vão saber que no Flamengo é sempre assim, as vitórias são muito comemoradas, mesmo as obrigatórias e o pessoal todo sempre canta e grita muito. Vão entender também que tem horas que não adianta reclamar, só podemos mesmo apoiar. E isso vocês fizeram muito bem, já são rubro-negras sensacionais.

    Mas muito mais legal que essa vitória foi poder mostrar pra vocês um time que brigou muito, principalmente com a bola e com a falta de sorte, mas que honrou a camisa lindona do Mengão, que vocês duas já aprenderam que se chama Manto Sagrado. Na quinta tem Fla-Flu e se vocês não fizerem muita bagunça, comerem tudinho e a mamãe deixar vocês dormirem mais tarde, o papai vai levar vocês de novo. Amo vocês, garotas.

    Beijos do Papai

    Mengão Sempre

  5. 11/08/2007

    A Volta do Gigante


    Após uma longa e tenebrosa temporada longe de sua casa o Flamengo retorna ao Maracanã nesse sábado disposto a tirar a barriga da miséria. As milhares de latas de Neston compradas pelo braço carioca da Maior Torcida do Mundo não deixam dúvidas quanto ao apetite da massa por uma vitória.


    E deixemos de lado a nossa modéstia, que é qualidade natural ao rubro-negro, a promoção poderia ter sido feita até por um fabricante de formicida, com a saudade que torcida está do Flamengo não sobraria lata de veneno nas gôndolas dos supermercados.
    Nos anos 50 o impoluto Juiz Eliezer Rosa, torcedor do simpático América do Rio já propunha ao jurisconsulto João Antero de Carvalho um projeto de lei que obrigaria o Flamengo a jogar todos os dias e a vencer sempre. Em um momento da histórica correspondência entre os dois juristas de grande calado encontramos o vibrante trecho:

    “O FLAMENGO não é somente um clube, uma agremiação esportiva. O Flamengo é uma religião, uma seita, um credo, com sua bíblia e seus profetas maiores e menores. O Flamengo é um amor, uma devoção, uma eterna comunhão de sentimentos. Por eles muitos deram a vida, alienaram a liberdade, destruíram amizades, arruinaram lares, com homicídios e suicídios. O Flamengo, o flamenguismo, para ser mais exato, é uma cardiopatia. O Flamengo dá febre, dá meningite, dá cirrose hepática, dá neurose, dá exaltação de vida e de morte. O Flamengo é uma alucinação.

    Deveria ser feita uma Lei Federal que obrigasse o Flamengo a jogar todos os dias, em todos os lugares do Brasil e ganhar sempre. Quando o Flamengo ganha, há mais amor nos morros, mais doçura nos lares, mais vibração nas ruas, a vida canta, os ânimos se roboram, o homem trabalha mais e melhor, os filhos ganham presentes. Há beijos nas praças e nos jardins, porque a alma está em paz, está feliz. O Flamengo não pode perder, não deve perder. Sua derrota frustra, entristece, humilha e abate. A Saúde, a higiene nacional exigem que o Flamengo vença, para o bem de todos, para a felicidade geral, para o bem-estar nacional.”


    É uma pena que a tradição esculhambativa brasileira somada à inação natural dos nossos probos legisladores não tenha transformado em letra da lei o desejo do Juiz Eliezer Rosa. Ao contrário, ao invés de promover o bem estar de parcela significativa da população nacional com jogos diários do Flamengo os podres poderes que regem feudalisticamente esse torrão chamado Brasil ainda cometem todas as patranhas ao seu alcance para que o Flamengo não dê o ar de sua graça.
    Mas pelo menos por hoje essa grave falha no arcabouço jurídico tupiniquim será amenizada com a volta dos guerreiros rubro-negros ao gramado do Maracanã, palco de tantas e tantas conquistas.

    Violentamente convulsionado pelos últimos acontecimentos, o time do Flamengo ainda é uma caixa preta. Após a improvável limpeza étnica e disciplinar promovida por Joel Cachaça, o experiente Fábio Luciano estréia na defesa junto ao novo valor Rômulo (Tri Campeão de Juniores) que terá sua primeira chance de defender as nossas gloriosas cores.


    Sejamos realistas, se o Joel arrumar a defesa já será um tremendo adianto, mas sabemos que sem ataque não chegaremos a lugar algum. Por isso a torcida, com toda a razão, exige uma atuação digna. Quer ver raça, suor, comprometimento com o Manto Sagrado e a bola sendo chutada em direção ao gol (gol adversário, mesmo sem Irineu em campo é bom frisar) quantas vezes for necessário.


    Destemida e filosófica, a torcida do Flamengo cumprirá sua parte no trato e empurrará o time desde o momento em que entrem em campo. Os guerreiros serão saudados, exaltados e incentivados. Cabe a cada um deles deixar sobre o campo a sua dose de suor, sacrifício e talento (exatamente nessa ordem) para que o Flamengo possa sair do gramado do Maracanã ainda maior do que entrou.


    Mengão Sempre

  6. 10/08/2007

    Uma das razões para o Flamengo continuar a ser o Maior do Mundo



    Mengão Sempre

  7. 10/08/2007

    Uma outra opinião

    João Marcelo Maia é sociólogo e escreve regularmente la no Blog da Flamengonet. Vale a pena dar uma lida no texto que ele publicou ontem.

    O Fim do Flamengo?

    O Flamengo não é um clube de futebol. O Flamengo é um dos bens culturais mais valiosos da civilização brasileira, um símbolo concreto da possibilidade de construir uma Nação autônoma, mestiça e democrática. Assim, não é possível achar que o Flamengo terá um "fim" burocrático, vendido num leilão ou com falência decretada. A possibilidade do fim está no descolamento entre sentimento e instituição, que é o que comecei a sentir pessoalmente há algumas semanas.

    Todos amamos o Flamengo, e nos identificamos com uma memória coletiva feita de glórias, lutas, sangue, graça e prazer. Nos acostumamos a olhar 11 jogadores vestindo a camisa do Flamengo e sentir naquilo a perpetuação eterna de uma mística quase atemporal, como se o clube, de alguma forma, sempre tivesse existido e fosse mais propriamente um sentimento do que uma entidade com CNPJ. Isso faz o Flamengo. E a perda disso pode decretar nosso fim.

    Há algumas semanas andei fugindo da televisão aos domingos e às quartas de noite. Marcava cerveja, ia ao cinema, qualquer coisa que evitasse o inferno que é assistir um jogo do Flamengo no atual Brasileiro. Consegui ser feliz. Ontem não resisti e vi todo o jogo, mas temo estar perdendo o sentimento de que falei anteriormente. Nos últimos anos, acompanhava cada partida e ia ao estádio, pois estava convencido de que o sofrimento era uma espécie de dever moral de todo rubro-negro, uma espécie de provação que só aumentava minha conexão com a mística. O time ser ruim ou não era uma questão menor diante da necessidade imperiosa de estar junto dessa comunidade imaginada que é o Flamengo. Hoje, temo não sentir isso com força. Já me peguei tendo sentimentos de descaso, enfado e cansaço emocional. E já vi amigos e colegas sentindo coisas parecidas. Muitos não têm raiva, nem acreditam que o rebaixamento seria "pedagógico". Nada disso. Simplesmente suspiram e vivem suas vidas.

    Na história das civilizações, a perda desse sentimento é fatal. Crises, guerras civis, ameaças, tudo isso faz parte da trajetória de altos e baixos que marca a História dos povos no mundo. Mas no momento em que instituições e símbolos viram cascas vazias, sem se ancorarem no fervor e no amor dos súditos, a decadência vira algo praticamente inevitável. Se estou certo em acreditar que o Flamengo constitui uma civilização, um modo de estar no mundo e de partilhar valores e paixões com outros seres humanos, então eu tenho medo. Eu tenho medo de que cada vez mais súditos prefiram viver outras emoções. Eu tenho medo de que torcedores se tornem cada vez mais indiferentes ao que se passa com aquele bando de gente vestida de vermelho e preto num gramado verde. Eu tenho medo de sentir vontade de fugir da televisão em dias de jogos. Eu tenho medo de, daqui a 20 anos, quando perguntado se tenho um time, responder "adoro futebol e era Flamengo doente, mas hoje só aprecio", frase que sempre considerei um atestado de fraqueza moral.

    Eu tenho medo do fim do Flamengo.

    João Marcelo Maia


    Mengão Sempre

  8. 09/08/2007

    Separando o Joio do Trigo


    Se você chegou ate aqui esperando um texto raivoso criticando a ridícula atuação de ontem, declarações desesperadas e artilharia pesada contra elenco, direção técnica ou diretoria pode parar de ler por aqui mesmo. Muita gente esquece, mas o Urublog é o blog do torcedor do Flamengo. Não é blog da oposição, da cornetagem ou do quanto melhor pior. E com 100% de certeza não é o blog da arco-íris. Aqui tratamos de torcer pro Flamengo. E pra quem já esqueceu o significado da palavra torcer lembro que um dos seus mais belos significados é apoiar.


    Respeito muito as opiniões de todos os rubro-negros mas aqueles que quiserem esculachar o Flamengo hoje devem procurar outro blog para desabafar. Cada um tira as suas próprias conclusões sobre o momento trágico que o Flamengo atravessa. Uns dizem que é falta de vergonha, que os jogadores tão de sacanagem. Outros dizem que a culpa é do Joel que acabou de chegar enquanto outros distribuem as culpas igualmente entre jogadores, cartolas e até mesmo torcedores. Cada um com seu cada um, mas hoje os comentários contra o Flamengo serão deletados, principalmente os feitos por rubro-negros.


    O momento que o time atravessa não poderia ser pior, mas uma fase nojenta como essa serve para identificar com clareza quem é que está habilitado a ser torcedor do Flamengo. E quem não está. Porque todo direito adquirido implica em uma responsabilidade e o preço de torcer pelo Maior do Mundo e ser invejado pela ralé é ter que permanecer firme ao lado do glorioso pavilhão rubro-negro nas vitórias e nas derrotas.

    Continuo afirmando sem medo de errar que o Flamengo não cairá. Quem não tem o couro grosso muitas vezes não agüenta a zoação e chega até a vacilar em sua fé. Mas quem é Flamengo de verdade levanta a cabeça, agüenta a zoação e esperar a hora de rir por ultimo. Porque nos últimos 112 anos tem sido assim, no final dá tudo certo e o Flamengo continuará a ser o gigante que nasceu para ser.

    Esse time vai passar, esse treinador vai passar, o presidente, o vice-presidente e o diretor também vão passar. Até os torcedores vão passar, mas o Flamengo vai continuar a ser o que já era antes de todos eles chegarem. O Maior do Mundo. Quem não tiver paciência pra esperar o final pode torcer pra qualquer timinho desses que botam a faixa antes da hora e tem em suas minúsculas salas de troféus um monte de espaços vazios. O Flamengo prescinde desse tipo de torcedor.

    Mengão Sempre

  9. 08/08/2007

    Mengão Buma Yê!

    Mais uma vez o Flamengo e a Nação estão diante do precipício. Só mesmo um colosso como o Flamengo para enfrentar tantas vicissitudes e ainda manter a pose altiva de quem nunca, em tempo algum, precisou lançar mão de recursos estranhos ao âmbito esportivo para se manter na elite do futebol nacional. Aliás, o Flamengo e sua torcida não sabem qual é o sabor amargo dessa desonra, pois em toda a nossa história centenária nunca jogamos em divisões inferiores. E afirmo categoricamente, nunca jogaremos!

    O Flamengo x Patético Paranaense de hoje é um jogo importante, não se discute. Mais em função da nossa precária e circunstancial posição na tabela do que pelos méritos do pequeno adversário. Ganhar deles lá em Curitiba é difícil, mas já foi feito antes, É apenas mais uma das 24 partidas de vida ou morte que teremos nesse Brasileiro. O verdadeiro adversário do Flamengo está na mente dos jogadores, o bloqueio que os está impedindo de vencer e cumprir o glorioso destino manifesto do Mengão. No que depender do apoio da torcida e na energia positiva emanada na direção da Arena esse bloqueio é coisa do passado e essa vitória já está garantida.

    Torcedor do Flamengo, faça um esforço para não deixar de assistir ou ouvir o Mengão no jogo de hoje. É hoje à noite que começa a escalada do Flamengo que redimirá os fiéis, calará os invejosos e humilhará as cassandras da arco-íris que como hienas se regozijam em anunciar antes da hora um rebaixamento improvável que só se materializará nas suas mentes doentias e embotadas pelo ciúme que nutrem em relação ao Mais Querido do Brasil. Nesses pobres de espírito o Mengão passa o rodo geral!

    O Flamengo é maior que o abismo. O Flamengo é maior que tudo isso que está aí. E ai de quem se interpor no caminho desse gigante. A história prova que tal imprudência será punida com a aniquilação. O Flamengo é o maior!


    Mengão Sempre

Arthur Muhlenberg é carioca e publicitário. Entre seus mais importantes prêmios estão o gol de Rondineli em 78, os 6 x 0 na cachorrada, o sacode no Liverpool no Mundial Iinterclubes, o golaço de Pet no quarto Tricampeonato Carioca e o Pentacampeonato Brasileiro.





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